Pois então, com o fim das festividades da Semana da Pátria começam as atividades da Semana Farroupilha. Período em que celebramos nosso orgulho gaúcho, nosso bairrismo, nossos hábitos, nossa linguagem particular do País Riograndense... Mas qualquer gauchão de quatro costados há de convir comigo, não dá para aguentar a cidade fedendo a esterco todos os dias e a população torcendo por chuva para lavar o bosta toda. Enquanto isso, se eu andar de bicicleta ou a pé pelas ruas tenho que me defender dos pseudo cavaleiros, sempre com uma cerveja na mão, porque se algum cavalo atropela um cilcista ou pedestre estes são uns baita "boca-abertas" que não souberam desviar de um cavalo... Ao passo que se um cavaleiro meio torto no lombo do bicho e ainda com a cerveja na mão se atira em cima de um carro e sofre algumas escoriações enquanto que o pobre animal tem que ser sacrificado, já imaginem as manchetes do dia seguinte: "Motorista atropela cavalariano e animal tem de ser sacrificado" ou "Cavalariano lamenta ter Semana Farroupilha prejudicada após atropelamento". Tchê! Me diz uma coisa: Ruas e avenidas principais da cidade são lugar para se andar à cavalo? Aí um lá me diz... e o direito de ir e vir? Tens sim tal direito, claro! Desde que não atrapalhes ou prejudique a vida alheia... Até aqui foi mais ou menos tranquilo! O quê realmente irrita nas festividades gaúchas são as transformações pessoais que este período provoca nas pessoas: Pessoas antes normais, tranquilas, serenas,... tem seus vocabulários reduzidos bruscamente como mágica, ou feitiço para usar a expressão do período. Parecem apenas conhecerem palavras como: tchê, galo véio, matungo, em riba, buenacho, flor de especial e assim por diante. Tais expressões, sempre fizeram parte de nossa cultura (riquíssima) mas assim, de forma artificial, até parece que gaúcho é alienado ou ignorante. Olha só, na minha opinião gaúcho é um ser superior em relação ao resto do País, com uma cultura à parte, mais politizado, com enorme identificação a Terra onde nasceu, qualidade de vida superior e pouco humilde é claro. Uma coisa que gaúcho não é, adivinhem só... nós gaúchos não somos SURDOS então gauchinhos de Semana Farroupilha não me venham com a história de que somos todos assim por gritarmos com o gado, eu já conheço essa também! O resto do mundo quer saber o quê estão conversando, nem ouvir aquelas expressões, se for insegurança o motivo do gritedo todo, digam apenas que são do Rio Grande do Sul, terra de gente culta, segura de si e com o melhor nível educacional brasileiro, assim todos o respeitarão e de repente vão até admirar. E não vais precisar chamar nenhuma mulher de "Xina Véia" porque já vais estar agradando ao natural. No mais, o de sempre: Vão bota que a mãe não tá!

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